Instrumento de mobilidade e risco de queda
Teste TUG (Timed Up and Go): como aplicar, pontos de corte e conduta
O TUG resume em um único número a capacidade de levantar, andar, girar e sentar com segurança. Por exigir apenas cadeira, três metros e cronômetro, é o teste de mobilidade mais viável na consulta e o primeiro passo objetivo diante de queixa de queda, insegurança na marcha ou medo de cair.
- Duração
- ≈ 2 minutos
- Resultado
- Tempo total em segundos
- Quem executa
- A própria pessoa avaliada
Material necessário
- Cadeira com braços de altura padrão (cerca de 46 cm de assento), encostada na parede para não deslizar.
- Três metros livres em piso plano, com a marca de retorno visível no chão.
- Cronômetro e uma ficha para registrar o tempo, o calçado e o apoio utilizado.
Como aplicar passo a passo
1. Prepare o ambiente
Cadeira com braços e assento firme encostada na parede, três metros livres marcados no chão com fita e um cronômetro. Sem tapetes soltos no percurso.
2. Mantenha as condições habituais
A pessoa usa o calçado do dia a dia e o dispositivo de apoio que já utiliza (bengala, andador). Não retire o apoio para o teste.
3. Explique e demonstre
Instrução: ao sinal, levantar da cadeira, caminhar até a marca de três metros, virar, voltar e sentar novamente, em ritmo seguro e habitual, sem correr.
4. Permita uma tentativa de treino
Uma tentativa sem cronometrar reduz o efeito de aprendizado. Depois cronometre a execução válida.
5. Cronometre do sinal ao sentar
Inicie o cronômetro na palavra de comando e pare quando as costas encostarem novamente no encosto. Registre em segundos.
6. Observe a qualidade do movimento
Anote uso das mãos para levantar, passos curtos, desequilíbrio ao girar, hesitação e necessidade de apoio. Isso orienta a conduta tanto quanto o tempo.
Pontos de corte e interpretação
O tempo obtido orienta a conduta e serve de referência para comparações entre consultas:
Até 9 segundos — Mobilidade preservada
Baixo risco de queda. Reforce atividade física regular e reavalie no acompanhamento anual.
10 a 20 segundos — Mobilidade reduzida
Risco moderado. Investigue causas (dor, força, visão, medicamentos), indique treino de força e equilíbrio e reavalie em poucos meses.
21 segundos ou mais — Alto risco de queda
Encaminhe para fisioterapia, revise medicamentos de risco, avalie adaptação do domicílio e reforce a investigação de fragilidade.
Em populações mais frágeis é comum adotar 12 segundos como limite de alerta, antecipando a intervenção. Mais importante que o corte isolado é a variação do mesmo paciente: piora de dois a três segundos entre avaliações já justifica reinvestigar dor, força, visão e medicamentos.
Limitações e instrumentos complementares
O TUG não avalia cognição, humor nem funcionalidade global, e pode ser inviável em pessoas acamadas ou com restrição grave de marcha. Ele ganha sentido dentro da avaliação global: combine com o questionário FRAIL ou o IVCF-20 para dimensionar fragilidade e vulnerabilidade, e com os instrumentos de funcionalidade quando houver perda de atividades diárias.
Perguntas frequentes
- O que é o teste TUG?
- O Timed Up and Go mede em segundos o tempo que a pessoa leva para levantar de uma cadeira com braços, caminhar três metros, girar, voltar e sentar. É um teste de mobilidade, equilíbrio dinâmico e transferência, usado como rastreio de risco de queda.
- Qual é o ponto de corte do TUG?
- Até 9 segundos indica mobilidade preservada; de 10 a 20 segundos há mobilidade reduzida com risco moderado; a partir de 21 segundos o risco de queda é alto. Em populações mais frágeis costuma-se adotar 12 segundos como sinal de alerta precoce.
- Quanto tempo leva para aplicar?
- Cerca de dois minutos, incluindo a explicação e a tentativa de treino, o que permite aplicá-lo em consulta de rotina.
- Pode ser aplicado com bengala ou andador?
- Sim, e deve ser. O teste mede a mobilidade real da pessoa, por isso o dispositivo de apoio habitual é mantido e registrado junto com o tempo, para comparações futuras.
- Quando repetir o teste?
- Após uma queda, mudança de medicamento com risco de tontura ou sedação, início ou alta de fisioterapia, e no acompanhamento periódico do idoso frágil.
Guias relacionados
- Avaliação Geriátrica Ampla (AGA) — onde o TUG entra na avaliação global.
- Mini-Exame do Estado Mental (MEEM) — rastreio cognitivo quando há queixa de memória associada.
- Escala de Depressão Geriátrica (GDS-15) — humor e medo de cair andam juntos com a redução da mobilidade.
- Escala de Zarit — sobrecarga do cuidador quando há dependência de apoio para andar.
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No CogniCare você digita o tempo em segundos e recebe na hora a faixa de risco, a sugestão de conduta, a comparação com as aplicações anteriores do mesmo paciente e a exportação em PDF para o prontuário.
Conteúdo de apoio profissional. Instrumentos de rastreio não substituem a avaliação individualizada. Referência: Podsiadlo e Richardson, 1991; diretrizes de prevenção de quedas em pessoas idosas.